Adeus você
"Eu hoje vou pro lado de lá
Eu tô levando tudo de mim..."
Não sei como começar a escrever pra você. Não hoje. Não depois de tantos descaminhos, nos quais os pensamentos ainda insistem em continuar pisando. Talvez o passar do tempo, nesses últimos meses, tenha sido um tanto dilacerado. Ou não. Bem, por aqui, foi assim. Ainda não consigo elucidar o que ficou. Da gente, pra ser exata. As memórias do tom moreno da sua pele são bem nítidas em mim. E ainda são quentes, como você é. Como nós éramos. Lembrar disso é tão real que quase posso te sentir de novo. Loucura? Provavelmente. Mas a sanidade nunca fez muito parte de nós mesmo. Talvez a gente tenha exigido demais do amor, penso eu, nesse exato momento. Sobreviver a tantos reveses? O amor é bicho singelo, para sê-lo, basta se permitir estar. E nos permitimos, até que não soubemos mais ser, sem querer que o outro fosse uma ideia pré-estipulada. Então precisamos soltar para o amor continuar respirando. O amor, aqui, ainda vive, sabe? E bem vivo. Almejo, constantemente, ressignificá-lo e conduzi-lo a habitar um lugar mais bonito e sereno. Um lugar digno do que o amor é. O seu calor, que continua incendiando em mim, tento transformar em combustível para os tantos dias que vão acontecendo, como hoje, sem perder de vista tudo aquilo de afetuoso que trocamos. Espero que possa sentir daí tudo aquilo que transborda em mim de bom sobre você. Apesar de distante e das controvérsias, a lembrança dos seus sorrisos largos é o que eu sempre carrego comigo.
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